Entenda a polêmica acerca dos vice-presidentes da Caixa demitidos por Temer

Por Lucas Lyra

 

Após quatro vice-presidentes da Caixa Econômica Federal ficarem na mira da Polícia Federal em investigações de corrupção e favorecimento ilícito, procuradores que trabalhavam no caso enviaram um ofício a Presidência da República recomendando que todos os 12 vice-presidentes do banco fossem afastados de suas funções.

Temer rejeitou de pronto a recomendação, optando em princípio por não demitir nenhum dos executivos. Então, o Ministério Público Federal e o Banco Central também enviaram documentos à presidência solicitando o desligamento de todos os vice-presidentes.

Após muita resistência por parte de Temer, procuradores aumentaram o tom do discurso: ameaçaram o presidente de ser responsabilizado na esfera cível por qualquer ilícito eventualmente cometidos pelos vice-presidentes da Caixa.

“Loteamento de estatais e empresas públicos”

A resistência de Temer em desligar os vice-presidentes investigados, apesar de toda a polêmica acerca do assunto, se origina na forma com que tais cargos são preenchidos.

Não somente na Caixa, mas na maioria das autarquias, empresas estatais, agências reguladoras, e etc, os dirigentes são escolhidos via indicações políticas, o que segundo o MPF e a PF, levam os executivos a atuarem para atender interesses políticos e de empresários.

Os quatro vice-presidentes afastados, Antonio Carlos Ferreira, Deusdina dos Reis Pereira, Roberto Deziê e José Henrique Marques da Cruz, apesar de funcionários de carreira da Caixa, foram indicados pelo PR, PRB, PP e PMDB, partidos da base do governo no Congresso.

A problemática acerca do sistema mora exatamente neste ponto. O chefe do executivo brasileiro sempre terá que “dançar conforme a música” dos dirigentes partidários, e entre indicações para cargos de segundo escalão e aprovações de legislações importantes para o governo federal, se da a articulação da política a nível federal.

Gilberto Occhi, presidente da Caixa, indicado pelo PP para a vaga, tenta botar “panos quentes” na situação, defendendo as indicações. “Não se pode satanizar as indicações políticas. Elas são normais, ainda mais em um banco público”, disse.

 

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