Queda de braço entre Planalto e Câmara é futuro incerto para a reforma da Previdência. Confira este e outros temas da coluna de hoje de JPM

Maia quer uma coisa e Temer pretende outra

Parece haver um consenso entre a Câmara dos Deputados e o Palácio do Planalto em torno da reforma da Previdência, mas paradoxalmente estabeleceu-se uma queda de braço entre o presidente do Legislativo, Rodrigo Maia, e do Executivo, Michel Temer. As razões tratarei logo adiante. Primeiro entenderemos como Câmara dos Deputados o presidente Maia e a maioria dos líderes da base aliada, incluindo aqui o MDB. E entenda-se como Palácio do Planalto o chamado “núcleo duro do governo”, ou ao menos a maioria dele. Tanto um quanto o outro já não apostam suas fichas na aprovação da reforma em 19 de fevereiro próximo. Já dão como favas contadas. Mas o presidente Temer, tendo como seu fiel escudeiro o ministro-chefe da Secretaria de Governo, ainda resistem.

Quem será o coveiro da reforma da Previdência?

As razões da queda de braço entre Temer e Maia são várias. Mas duas saltam aos olhos. A primeira é justamente o que se expõe acima: um quer uma coisa e outro, outra. Maia quer adiar a votação, porque acredita que até o dia 19 o governo não consegue o número de votos suficientes. Temer acredita que até lá pode mudar o jogo, apostando na propaganda e na força extra Congresso, ou seja, programas de auditório, igrejas evangélicas e mercado financeiro. A outra razão da briga é que um quer jogar para o outro a culpa por um eventual fracasso na votação ou no cancelamento dela para o final do ano, logo depois das eleições de outubro.

Proposta deve dominar as discussões

A reforma da Previdência deve dominar os debates na Câmara dos Deputados a parir desta segunda-feira, quando os congressistas começam a retornar do recesso parlamentar. A propostas é tida como tema prioritário, mas outros assuntos também devem dominar a pauta. Um deles é a modernização da Lei de Licitações; o fim das desonerações sobre a folha de pagamento e da capitalização da Petrobras. Sobre a reforma previdenciária, o governo aproveitará a volta das atividades parlamentares para intensificar o corpo-a-corpo com o deputados para ampliar o número de votos para garantir sua aprovação.

Volta oficial não é volta na prática

A solenidade de retorno dos trabalhos legislativos está marcada para as 17 horas de hoje, mas a volta aos trabalhos pode ficar comprometida por acontecer numa véspera de Carnaval. Somente amanhã (6) é que saberemos de fato se os congressistas estão de volta em peso ou se vão aproveitar e emendar na folias em seus estados. A prática tem demonstrado que é sempre muito difícil conseguir um quórum significativo nessas épocas de festas, ainda mais a de Momo. A conferir.

Cristiane Brasil sob artilharia pesada

Desde que se expôs ao aceitar a indicação para o Ministério do Trabalho, a deputada Cristiane Brasil não encontrou mais descanso. Tudo começou quando se descobriu que ela havia sido condenada por ações trabalhistas. Depois um grupo de advogados da área entrou na Justiça e conseguiu cancelar sua nomeação e posse. Depois de quatro derrotas, conseguiu uma no Superior Tribunal de Justiça. Mas perdeu em seguida no Supremo. De lá para cá, cometeu burradas, como a gravação do vídeo com os bombados e depilados, desenterrou-se um processo de associação ao tráfico de oito anos atrás e aparece o áudio em que praticamente obriga seus ex-comandados numa secretaria municipal do Rio de Janeiro a votarem e angariarem votos para ela em 2014.

Ela é bagre pequeno

O Fantástico, da Rede Globo, dedicou fartos minutos ontem para mostrar a deputada chantageando seus subordinados para conseguir votos para ela e um aliado. Este foi apenas um dos obuses da artilharia. O problema (ou talvez não seja um problema) é que a grande mídia e o Ministério Público estão se especializando ao alvo de bagrinhos como Cristiane Brasil, enquanto muitos tubarões anda por aí livre, leves e soltos.

A emblemática soltura do aliado de Geddel

O ex-diretor-geral da Defesa Civil de Salvador, Gustavo Ferraz, foi um dos aliados do ex-ministro Geddel Vieira Lima, hoje preso, que ajudou ele a contar os mais de R$ 51 milhões encontrados num apartamento em Salvador (BA). Por esta razão as digitais dele apareceram nas noas, conforme investigou a Polícia Federal. Ferraz estava em prisão domiciliar na casa dele, na capital baiana. Mas no último sábado (3) acabou sendo liberado a mando do ministtro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo.

Taxa de juros pode ter nova redução

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia amanhã e prossegue até quarta (7) sua primeira reunião do ano para analisar a taxa de juros Selic. A expectativa é que o Copom mantenha a rotina de reduções dos dez encontros anteriores. Ou seja, poderá acontecer a 11ª diminuição. Se ocorrer, será de 0,25%, caíndo de 7% para 6,75%. A taxa básica de juros é usada serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

Crescem as vendas de veículos novos em janeiro

As vendas de veículos novos cresceram 23,14% em janeiro deste ano em todo o país na comparação com o mesmo mês de 2017. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição dos Veículos Automotores (Fenabrave), divulgados em São Paulo, com base no emplacamento de carros. Em janeiro foram emplacadas 181,2 mil unidades, contra 147,2 mil no ano passado. Em relação ao último mês de dezembro, no entanto, foi verificada uma queda de 14,75%. O setor de caminhões registrou expansão de 56,26% em janeiro de 2018, com a comercialização de 4,6 mil unidades. As vendas de ônibus tiveram alta de 57,71% no período, com 1,1 mil unidades emplacadas.

MDB e PSB são noivas cobiçadas

À medida que o tempo avança e os partidos começam a se definir eleitoralmente, duas situações interessantes estão se delineando. Dois partidos importantes, o MDB e o PSB, não deverão lançar candidatos a presidente da República e, por esta razão, estão se tornando as duas “noivas” mais cobiçadas deste ano. PSB, que já tem três pré-candidatos – Joaquim Barbosa, Beto Albuquerque e Aldo Rebelo – caminha para não apostar em nenhum deles. Já o MDB, que volta e meia fala em reeleição de Michel Temer, também não terá cabeça de chapa.

Frase do Dia

“Por que destruir a vida política promissora de uma pessoa dedicada em tudo que faz e que está preparada para exercer o cargo de ministra? É o PT e seu esquema no Judiciário dando o troco”.

Presidente do PTB, Roberto Jefferson, pai da Cristiane Brasil.

 

 

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