Com suspensão da reforma da Previdência, governo prepara novo pacote de medidas econômicas. Este é um dos assuntos da coluna de hoje. Confira.

Governo suspende reforma da Previdência e prepara pacote

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, anunciou ontem o que estava sendo esperado desde o final da semana passada: a reforma da Previdência está suspensa. A proposta, que estava sendo trabalhada para ser votada no próximo dia 28, acabou cancelada por causa, segundo alega o governo, a intervenção federal no Rio de Janeiro. O artigo 60 da Constituição Federal prevê que nessa situação o Congresso Nacional não pode apreciar emendas constitucionais. A reforma previdenciária é uma PEC (proposta de emenda constitucional). No lugar dela, visando corrigir déficits nas contas públicas, o governo já estuda a adoção de um pacote de medidas econômicas.

Proposta de nova Previdência fica para 2019

Como a intervenção militar no Rio de Janeiro, conforme o decreto presidencial, vigorará até o dia 31 de dezembro deste ano, a votação da nova proposta de reforma da Previdência só deverá acontecer em 2019. Isto é, se o novo presidente da República tiver interesse em fazê-lo. Neste contexto, reformar ou não a Previdência Social estará no centro de debate eleitoral deste ano.

Intervenção militar chega rápida ao Senado

Num átimo, depois de aprovado na Câmara dos Deputados por ampla maioria, o decreto da intervenção militar no Rio de Janeiro aportou para votação no Senado. Acabou de ser aprovado à noite e já em seguida estava tramitando na Câmara Alta. É possível que a apreciação ainda aconteça nesta terça. A aprovação é certa, mas é provável que haja debates, o que não ocorreu na Câmara dos Deputados.

Luislinda deixa o cargo de ministra 

Depois de uma gestão controvertida e de posições pessoais no mínimo curiosas, a ex-ministra Luislinda Valois entrega cargo de titular da pasta dos Direitos Humanos, Mulheres e Igualdade Racial. Ela quase perdeu o cargo em meados do ano passado quando requereu que acumulasse os salários de desembargadora aposentada da Bahia com o de ministra. Ela chegou a afirmar que o que ganhava como ministra (cerca de R$ 30 mil) se igualava ao trabalho escravo. Depois, com o início da reforma ministerial ensaiada por Temer já próximo do final do ano, esteve na alça de mira. Agora pediu para sair, mas não revelou os motivos. Com a saída dela, só sobra um tucano no mais alto escalão do governo: o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes.

Alckmin confirma Arida na chefia de seu programa econômico

Segundo se especulava desde o final do ano passado e a coluna já havia informado aqui, o economista Pérsio Arida vai ser mesmo o coordenador do programa econômico da candidatura do tucano Geraldo Alckmin. O anúncio foi feito ontem pelo pré-candidato. Ele também antecipou seu slogan de campanha: “Crescimento e inclusão.” Arida foi um dos idealizadores do Plano Real, foi presidente do BNDES e presidente do Banco Central e atuou na direção de diversos bancos nacionais e estrangeiros. Também tem forte atuação na área acadêmica.

Governador paulista vai se consolidando

O anúncio de Pérsio Arida como seu coordenador da área econômica não foi apenas mais um ato no calendário de na pré-campanha de Geraldo Alckmin. O momento tem alguns significados políticos. O primeiro dele é que o governador paulista fica o pé de vez na disposição de estabelecer uma política econômica com a rapaziada (hoje nem tão rapazes assim) da chamada escola de Chicago. Ou seja, o ideólogos do neoliberalismo. Por tabela avisa aos neoliberalistas tupiniquins que é ele o homem. O segundo significado é que Alckmin se consolida como o candidato tão esperado das forças de centro-direita, depois do fiasco nas pretensões de João Dória e da natimorta candidatura de Luciano Huck. Assim, meio que mineirinho (ou caipirinha paulista), ele vai quietinho colocando mais concreto na sua candidatura. Agora só falta a prévia em março. A conferir.

Candidatura Temer começa a ser propalada

Todos torcemos, mas ninguém sabe ainda se vai dar certo a intervenção federal no Rio de Janeiro. Tudo levar a crer que as Forças Armada poderão debelar de vez ou reduzir a próximo de zero, o poder do tráfico e das milicias que atuam naquele estado, sobretudo na região metropolitana da capital. Se der certo, há quem já defenda que a atuação se espalhe para o resto do país. E se der certo, que a popularidade do presidente Michel Temer estará posta, o cacifando para ser candidato à releição. Este roteiro está longe de se concretizar, mas o fato é que a candidatura já começou a ser propalada.

Candidatos estão perdendo o discurso

O cenário hipotético acima assusta algumas candidaturas que botaram a cara com o discurso do combate sem trégua à criminalidade e a intervenção militar. O DEM, cujo pré-candidato, o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, é um dos que que tem a pauta da segurança pública na ponta da língua, acusou o golpe. O deputado Jair Bolsonaro, que é militar e o mais intervencionista de todos os brasileiros, passou recibo (ver Frase do Dia abaixo). Ou seja, com a intervenção militar no Rio de Janeiro, o presidente Temer roubou o discurso de boa parte dos candidatos. Agora resta saber como isto se refletirá nas próximas pesquisas.

Cristiane desiste e PTB indicará novo nome para o Ministério do Trabalho

Agora parece que a deputada Cristiane Brasil o lugar de Cristiane Brasil jogou a toalha de vez. Ela anunciou que não quer mais o cargo de Ministra do Trabalho. Depois de muita polêmica e de perder na Justiça por várias vezes, Cristiane e seu pai, o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, se conformaram. Assim, o partido escolherá nas próximas horas que será o novo nome a ser indicado ao presidente da República.

Frase do dia

“Apoio uma Intervenção militar no Rio, não essa que é política com a cara de Temer, Jungmann e Moreira. Esta é uma intervenção política. O Temer já roubou muita coisa. Não vai roubar o meu discurso.”

Deputado e presidenciável Jair Bolsonaro.

 

 

 

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