O futuro já começou

Por Márcio Lopes

 

Se pudesse escolher uma palavra para falar sobre a interação entre novas tecnologias e inovação, provavelmente eu diria: ousadia. Sim, pois sem ela estaríamos, ainda, em um tempo em que nos faltariam, por exemplo, carros, televisão, aviões, satélites, comunicação sem fio, medicina nuclear, cartão de crédito e internet. E ideias como as que geraram todas essas coisas só poderiam ter sido propostas por pessoas ousadas, muitas vezes mal interpretadas, mas que inovaram utilizando a tecnologia do seu tempo.

Sobre ideias ousadas, acredito que elas são assim consideradas porque estão fora do imaginário comum. Uma ideia diferente é possivelmente a conexão inédita de universos distintos da mente humana. Isso acaba me trazendo a uma reflexão: o que foi dito a Alexander Graham Bell quando pensou em inventar o que conhecemos, hoje em dia, como telefone? E para Thomas Edison, quando ainda pesquisava sobre a lâmpada elétrica? Ou, ainda, trazendo mais diretamente para o nosso universo, aos pioneiros de Rochdale? Afinal, foram eles os primeiros a falar em cooperativismo, um novo modelo de negócio que tem revolucionado as relações de comércio, de trabalho e de gestão.

Fomentar o novo é o primeiro passo para a evolução e isso é o que o cooperativismo tem feito desde que foi pensado no século passado. O nosso movimento tem crescido e as cooperativas têm investido em tecnologias e soluções inovadoras de negócio, capazes de alavancar resultados e melhorar a produtividade e a vida dos associados. Este é um claro sinal de inovação. Por exemplo, no campo, é possível pulverizar uma lavoura usando drones; nas cidades realizam-se transações bancárias com poucos toques na tela do celular; também nos garimpos, vemos iniciativas de inovação que nos ajudam a localizar, no fundo da terra, as riquezas minerais que tornam o Brasil ainda mais próspero.

E como sabemos que o mundo muda o tempo todo, para nos adaptarmos a essas pequenas e grandes mudanças é preciso estarmos dispostos a pensar de forma criativa e a ter um olhar questionador sobre nossos processos e produtos. Inovar não significa fazer somente novas coisas, mas fazer as mesmas coisas de um jeito incomum!

O consumidor do futuro, que já é uma realidade do presente, está ávido por empresas inovadoras, responsáveis, preocupadas com o meio ambiente e que falem seu idioma. Ou mudamos a nossa forma de nos comunicar com as novas gerações ou elas irão buscar essa conexão com outras formas de negócio, batendo na porta da concorrência. E não queremos isso! A sociedade de hoje não tolera mais uma empresa ou organização sem uma boa governança. Pelo contrário, ela quer participar do processo de decisão, se sentir parte, valorizada. E isso é uma marca do cooperativismo.

Já avançamos, não há dúvidas, mas ainda temos muito a caminhar. E, com a chegada de um novo ano, temos o timing perfeito para fazer nossas reflexões. No fundo, o que queremos são cooperativas fortes, que gerem resultados econômicos para seus cooperados, valorizando o trabalho em equipe e criando oportunidades para que todos se sintam realizados e felizes. Afinal, gente feliz inova mais, produz mais, contribui mais, vive mais!

 

Márcio Lopes de Freitas é presidente do Sistema OCB.

 

 

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