Lucro dos bancos brasileiros cresce 20%

Juntos, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander entregaram lucro líquido de quase R$ 42 bilhões na primeira metade do ano, cifra 20,4% maior que a registrada um ano antes, de R$ 34,832 bilhões. Para eles, não tem recessão. Mas o diretor de instituições financeiras da Fitch Ratings para América Latina, Claudio Gallina, classifica o resultado dos bancos brasileiros como resiliente e vê maior risco de concorrência não por parte das fintechs – as startups que atuam no setor financeiro -, mas das chamadas big techs como, por exemplo, Amazon e Apple.

A preocupação com aumento de concorrência por parte de novatos, mas também de big techs, se materializa de forma mais intensa para os grandes bancos, que seguiram crescendo seus resultados no primeiro semestre, a despeito do fraco desempenho da economia.

A pressão já aparece do lado das receitas de serviços e das despesas, com essas instituições enxugando quadro de pessoal e fechando agências, e também no desempenho das ações que caíram nas divulgações, reforçando um temor por parte dos investidores.

“A oxigenação do sistema é importante, contudo, deve demorar um pouco mais para que as pequenas empresas ganhem musculatura suficiente para de fato chegar a incomodar os grandes bancos em crédito. Um risco maior pode vir ocasionalmente se big techs entrarem no Brasil no mercado de crédito”, avalia ele.

Apesar disso, os bancos começam a se mexer. O BB espera obter economia de R$ 500 milhões a partir de 2020 com a reestruturação da rede física e do quadro de funcionários anunciada este mês. O corte de gastos virá da eliminação líquida de 284 agências – que passam a operar sob o formato de posto de atendimento – e ainda do fechamento de até 2,3 mil vagas, número comentado nos bastidores, mas não confirmado oficialmente pelo banco. A mudança gera gastos imediatos de R$ 300 milhões, que serão compensados com corte de despesas nos anos subsequentes.

“Estamos usando menos agências para fazer negócios bancários e a estrutura das agências está passando por um processo de readequação. Com isso, temos uma liberação normal de pessoal”, explicou o presidente do BB, Rubem Novaes.

Na mesma direção, o concorrente Itaú Unibanco fechou cerca de 200 agências no segundo trimestre e iniciou um programa de demissão voluntária (PDV) que mira até 6,9 mil funcionários. É a primeira ação do banco nessa linha na última década.

“Os riscos de disrupção, fintechs e a queda de margem nas receitas de serviços formam uma nuvem no setor que tem preocupado os investidores. A mensagem de programas de demissões e fechamento de agências é de controle de custos. Ou seja, já que a margem vai cair, os bancos estão focados em custos”, avalia o analista de instituições financeiras da XP Investimentos, André Martins.

O Santander Brasil segue na direção de incrementar seu portfólio de negócios para fazer frente ao ataque digital das novatas. No mês que vem, o banco vai lançar uma plataforma online que permitirá aos clientes pegar empréstimos usando uma variedade de garantias, de imóveis a motocicletas, e ainda colocará de pé plataformas digitais para renegociar dívidas e vender seguro de automóvel.

Apesar da pressão da concorrência, os resultados dos grandes bancos no segundo trimestre seguiram com tendência similar à vista nos três meses anteriores. O fechamento da primeira metade do ano, contudo, indicou que os bancos tendem a ficar mais próximos do piso das metas estabelecidas para 2019, segundo o analista do XP. Pesa, sobretudo, uma economia que demora a engrenar.

Os bancos mantiveram suas projeções, com exceção do BB, que baixou sua estimativa para o crescimento da carteira de crédito por causa do comportamento da pessoa jurídica, que tem puxado para baixo o ritmo consolidado. Vale lembrar que anteriormente o Itaú já tinha mexido em em suas projeções para contemplar a ofensiva feita por meio da rede no segmento de maquininhas.

Com Agencias

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